Novembro 07 2012

 

Começo por esclarecer que a palavra invariável “mas” deste “post” não representa qualquer movimento de apoio. “Mas” é uma conjunção comum na língua portuguesa que tem por subjacente uma oposição de ideias.

 

Recordo-me de um responsável da administração pública detestar a utilização do “mas”. Pouco dado à escuta, até de forma ostensiva impedia a sua utilização nas ideias de qualquer subordinado. É claro que aquilo que o incomodava não é o termo em si mas sim o desenvolvimento do argumento que o opunha. (Repare-se que na frase anterior a conjunção “mas” é insubstituível!).

 

Habituado a ponderar, é evidente que, pelo contrário, não dispenso o “mas”. Sei que permite manter muitas ideias num estado intermédio mas (cá está nova oposição!) é importante ponderar os prós e os contras, uma vez que não há ideias perfeitas e de sentido único.

 

O “mas” é assim a génese de uma ideia opositora o que em si mesmo é um ato de libertação. Por isso e porque na nossa sociedade não faltam evidências a enfadar-me sem a respetiva oposição, aqui ficam alguns “mas” num exercício de paz de espirito:

O Sporting tem bons valores individuais mas não vence!

Temos um ministro licenciado mas não prestou provas!

As leis são redigidas por juristas para a população mas sem os juristas a população dificilmente as interpreta!

A justiça é para todos mas quem tem posses dificilmente cumpre pena efetiva!

As leis existem mas poucas são realmente fiscalizadas!

Os governos sufragam programas eleitorais mas no exercício não o cumprem!

Aumenta a carga fiscal mas as receitas do Estado diminuem!

Cumprimos um programa de austeridade para reduzir o défice e o endividamento mas ambos não diminuem!

É consensual o dever moral de premiar o mérito mas não existem prémios para o mérito!

Somos uma sociedade cada vez mais instruída mas com cada vez menos oportunidades!

Estamos cada vez mais envelhecidos mas não se incentiva a natalidade!

Defendemos a sustentabilidade ambiental mas aumentamos o custo dos transportes coletivos!

Temos um mar vasto mas não o aproveitamos!

Portugal tem uma longa história mas cheia de sobressaltos!

 

Vendo bem, no meio daquele pulso de ferro, até fazia algum sentido abolir o “mas”.

publicado por pontoprevio às 17:55

mais sobre mim
Novembro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30


pesquisar
 
blogs SAPO