Dezembro 23 2012

Escrevo-vos após o fim do mundo! E não estou nada desiludido. Sempre imaginei que, quaisquer que fossem as experiências futuras da vida, não me podia faltar um sofá parecido com o meu.

 

Estou fascinado com este novo mundo. Do que me apercebi está no ar um sentimento solidário e fraterno entre as pessoas. Muitos amigos desejam boas festas e votos de um bom ano. Multiplicam-se campanhas de solidariedade para com os mais desfavorecidos. Que seja bem-vinda esta nova humanidade.

 

Finalmente parece que se encaixam as peças do puzzle, rumo ao início de uma nova ordem. Guimarães, o berço da nação, tem sido palco e o centro das nossas atenções. A cultura é afinal a origem das coisas.

 

Ontem assistia pela televisão ao concerto de Ivan Guimarães Lins e a Orquestra Fundação Estúdio. Eis que ao juntar-se Paulo de Carvalho tive uma premonição. Mais do que a própria comoção de assistir a um abraço do tamanho do Atlântico, aqueles momentos que demonstram que somos muito mais do que a nossa própria dimensão, perguntei-me neste novo mundo “E depois do adeus” que faz Paulo de Carvalho ali. Que senha de esperança lhe compete?

 

A emoção com que saboreava o momento trouxe-me a resposta. Tudo fazia sentido. No dia em que o mundo deveria ter acabado, a partir da cidade berço, ecoava “começar de novo”. Quem assistiu compreenderá a mensagem. De Guimarães, neste novo tempo, caberá a todos os portugueses começar de novo a árdua tarefa de reconquistar a soberania nacional. É essa a dimensão da arte criativa. Apontar caminhos muito para além do que estaríamos à espera.

publicado por pontoprevio às 13:40

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