Janeiro 25 2010

Num programa da RTP, uma referência da cultura portuguesa confidenciava que muitos dos seus valores resultam da influência das suas origens. Referia-se ao desassombro, capacidade de trabalho e independência em relação ao poder central como características identitárias da região do Porto, cidade da sua naturalidade.

Perante esse mote dei por mim a reflectiir sobre as origens e as características da região de que sou natural. De imediato, sem esforço, para quem nasceu e viveu numa cidade do Litoral Alentejano, identifica a vastidão do oceano, que nos abraça, como a  característica comum mais sublime que transportamos. Percebemos que desse mar imenso recebemos a inspiração e o sonho.

A observar o mar e o horizonte longínquo é mais fácil compreender a nossa real dimensão perante a vastidão da natureza. Ter consciência da insignificância da nossa força quando o mar está revolto. Da importância da paz. Que a despedida de cada pôr-do-sol é a prova que vale a pena viver empenhadamente o dia seguinte.

Quem sabe, serão esses mesmos valores que ao longo da vida absorvi e que hoje fazem da serenidade, humildade e capacidade de reflexão as principais virtudes para, em cada dia, desarmar a velocidade e a pressão que quotidianamente observo, em meu redor, até chegar a casa. Felizmente, quando chego a casa, sem observar o mar, sinto-me muitas vezes a contemplá-lo. E isso é um grande privilégio!  

 

publicado por pontoprevio às 22:24

Janeiro 17 2010

Recentemente tive a oportunidade de frequentar uma formação vocacionada para dirigentes intermédios da Instituição onde presto funções. Ponto prévio, por acaso eu era o único não dirigente a frequentar o curso, por razões que para o caso pouco interessam. Retomando a descrição, designou-se à referida formação um Mini-MBA, que nos ocupou parte das últimas sexta-feiras e sábados, e creio, sinceramente, ter sido uma oportunidade ímpar. A qualidade e diversidade dos temas versados representou um estímulo ao aprofundamento de conteúdos e um desafio para aplicabilidade de conceitos teóricos de melhoria contínua no quotidiano.

Três notas reflexivas me ocorriam que julgo interessantes:

1. Esta formação dirigiu-se a responsáveis de uma Instituição da Administração Indirecta do Estado, que investe na qualificação dos seus dirigentes e não só, em prol da disseminação de uma cultura organizacional virada para a mudança e estimulada para a progressiva eficiência. Este novo paradigma ocorre, felizmente, em vários organismos do Estado Português que encaram a formação e a introdução de novas tecnologias como um investimento determinante para a progressão positiva do desempenho dos serviços públicos. Bons sinais;

2. Tivemos oportunidade para reflectir em várias temáticas incluindo as ciências comportamentais e de liderança. Admito que para alguns não seja imediata a aplicação dos conceitos teóricos nas relações entre as pessoas que formam a organização. Mas eu senti que, sobretudo, aqueles conceitos são um apelo à análise introspectiva do exercício de cada um, estimulando a permanente reflexão sobre os estilos e decisões tomadas, permitindo, continuamente, a auto-avaliação e a auto-crítica, chave para poder fazer diferente e melhor. Mais, questiono para quantos a formação de base é de carácter iminentemente técnico, muito mitigada em matérias de índole comportamental, sendo que o quotidiano, inevitavelmente, se faz de permantes relações entre pessoas;

3. Como é bom aprender. Como é interessante percepcionar o privilégio de ouvir e reflectir novas temáticas, novas abordagens. Como é para todos, sem excepção e em qualquer estágio profissional, profícuo aprender, muito importante, também, para quem acumulou experiência, circunstância que, porventura, garante ainda maior aproveitamento dos ensinamentos. E é um grande estímulo à mudança. Por tudo isso parece-me interessante sintetizar: - Viver é aprender mas aprender também é viver!

publicado por pontoprevio às 16:45

Janeiro 14 2010

1. Com estupefação e horror, pouco a pouco, vamos conhecendo os relatos que caracterizam a dimensão da tragédia no Haiti. Sem palavras para a brutalidade deste fenómeno e o sofrimento que ele envolve. Não creio sequer que valha a pena fazermos aquele exercício habitual nestas circunstâncias que é conjecturar o que seria caso um sismo desta amplitude ocorresse no nosso país. Perda de tempo, nada adianta. Creio sim que vale a pena relevar a mobilização em curso para ajuda humanitária. Enaltecer todos aqueles que com coragem, sacrifício pessoal, estão, rumam ou preparam a partida para ajudar a atenuar todo aquele sofrimento. Bem hajam!

 

2. Outros tumultos, diferentes é certo, são os níveis de desemprego que se verificam actualmente no nosso país. Um drama social que periga a própria harmonia de muitas familias. Obviamente uma tensão crescente e um sério perigo ao equilibrio do nosso Estado de direito. Não admira o anúncio do Governo de mais medidas de incentivo para combate ao desemprego. Anúncio que não é a concretização, entenda-se. Estima-se um esforço ao erário público que pode ascender a 500 Milhões de Euros. Se é consensual a necessidade de estimular políticas para incentivo ao emprego, também não tenhamos dúvidas que esta medida concorre, como muitas outras, para o desequilíbrio das contas públicas. Claro que é necessário hoje actuar, sobretudo para evitar o crescimento descontrolado do desemprego, que é a grande preocupação. Mas nada pode estar desligado das consequências futuras e o nível do endividamento do Estado. Temos a obrigação de deixar às novas gerações um país sustentável. As nossas crianças têm o direito de ambicionar um país com potencial de crescimento. Contudo, perante as dificuldades de hoje, não tenho a certeza que essa preocupação esteja verdadeiramente na ordem do dia...

 

3. A negociação iniciada entre os diversos partidos para a viabilização do Orçamento de Estado de 2010 será um tumulto?...Veremos!

 

4. Noticiou-se hoje o início do julgamento sobre o caso dos Paquetes-Hotéis contratados para alojamento no decurso da EXPO 98. Um caso alegadamente ruinoso para o Estado. Não, não estou enganado, começou mesmo um julgamento de um caso que remonta a 1998. Não, o leitor não está enganado, estamos mesmo em 2010. 12 anos para o início de um julgamento não será um verdadeiro tumulto?

publicado por pontoprevio às 23:08

Janeiro 14 2010

Nunca antes experimentei este tipo de exposição. Tenho consciência que nada vou fazer de diferente. Mas quero desta vez arriscar. Quero assumir a responsabilidade de dar a minha opinião. Sei que nada alterará. Sei que nada modificará. Mas a participação, o exercício da cidadania ou simplesmente a partilha de ideias tem hoje oportunidades notáveis com os meios de informação ao nosso dispor. Porque não contrariar a tendência natural de observar passivamente o que se sugere. A coragem de ser consequente. O que já percebi é que à distância de um pequeno clic qualquer um de nós pode democraticamente participar. É sem dúvida uma nova era com mudanças impressionantes e um ritmo difícil de acompanhar. Nestes novos tempos não haverá actos de repressão que não possam ser denunciados. Não haverá informação circunscrita a elites. Não haverá sofrimento individual que não tenha oportunidade de ser colectivamente difundido. Óbvio que muitas pessoas ainda não têm acesso a estes meios. Também é certo que a mudança criou muitas apreensões sobre o modelo de desenvolvimento educacional das crianças e jovens. Em consciência, é claro que tememos os perigos da internet no crescimento dos mais novos. Ainda, assim, julgo que estão acessíveis muitas oportunidades. Se deste espaço, hoje ou porventura mais tarde, alguém reflectir, acrescentar uma ideia ou simplesmente concordar ou discordar será suficiente para considerar útil esta iniciativa. Conto consigo!

publicado por pontoprevio às 00:05

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