Setembro 20 2011

 

Tomo por exemplo a atualidade do setor da construção. Em 2010 cerca de mil empresas cessaram atividade. O número de desempregados no setor atinge quase cem mil pessoas, correspondendo, hoje, a cerca de 14% da população inscrita nos centros de emprego. Um retrato cruel, dramático mesmo, da crise a que este setor não tem sido poupado.

 

Perante estes números que atestam a relevância deste subsetor à escala da economia nacional, não se afigura estranha uma tendência política parceira com a cíclica promoção de investimento público. Foi o caso do programa de requalificação do parque escolar que, sem prejuízo do mérito de muitas das intervenções, foi mais um investimento financiado à custa de crédito. Ou seja e como em tantos outros exemplos, a nossa geração, abusivamente, digo eu, de novo a hipotecar o futuro dos nossos filhos. Não temos direito, nem dinheiro, diga-se, para continuar numa escalada de comprometimento dos recursos futuros e impedir a liberdade de escolha das gerações vindouras. É inaceitável!

 

Neste quadro parecem-me compreensíveis mas irreais as crescentes pressões das associações do setor para uma aposta na requalificação urbana e canalização de fundos comunitários enquanto estratégia para atenuação da falência do setor. Ou seja, nada de novo, perante as dificuldades o apelo à ação assistencialista do Estado.

 

Ora parece-me que estamos em fim de linha. Não há expectativa de investimento público infraestrutural com significado nos próximos anos. Nem contar com regulamentação que imponha à sociedade civil uma priorização dos seus recursos na recuperação patrimonial. Nem pode ser esse, um modelo impositivo, uma estratégia sã para o desenvolvimento económico sustentável.

 

E essa é a dura realidade que se coloca a um setor particularmente atingido pela crise e pouco habituado à conjuntura dos novos tempos. Resta o caminho, onde muitos com arrojo já tentam vingar, que é a aposta na internacionalização, em especial nos países ditos emergentes. Estratégia que deixará muitos de fora, inevitavelmente. Fica a esperança na possibilidade de reconversão funcional do capital humano das empresas.

 

Mas aí surge a pergunta, neste País onde as opções tomadas são por agora, quase sempre, por inevitabilidade, uma resposta imediata às dificuldades, isto é uma reação, como será possível fundar uma nova visão de desenvolvimento, uma estratégia global concertada das opções sustentáveis, no fundo as bases para um processo de reconversão e esperança no futuro? Falo de liderança, inevitavelmente!

publicado por pontoprevio às 08:59

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