Agosto 24 2012

Bem-vindo ao mês do torpor e dos passos arrastados. Ao sabor da descompressão na cidade. As horas lânguidas que se organizam numa sucessão disciplinada e sadia. Bem diferente de outrora.

 

Os jornais desesperam!

 

Não fora conhecer-te mês de Agosto, estranharia a tua lei.

 

É o tempo áureo daqueles que anseiam a libertação às amarras da cidade. Mas aqueles que partem não se apercebem que é este o momento em que a cidade se dá a conhecer. Fortalecem-se vínculos aos nossos lugares. Convoca-se o exterior, os sons, a luz e a curiosidade.

 

É o momento de nos seduzirmos com a avidez de quem procura os recantos. Com o brilho nos olhos de quem se arrebatou com a luz.

 

É esse o fascínio deste tempo, o de contemplar as coisas sem importância. O abraçar o nosso espaço, sem pressas, sem angústias.

 

Reinventarmos os nossos sonhos seguindo “Lisboa na Rua” e atormentarmos a paz “À procura do vento num jardim d’agosto”, na poesia de Al Berto.

publicado por pontoprevio às 15:15

Agosto 13 2012

Imaginem a situação! A meio de um filme de animação, todo ele fantástico e inverosímil, ressoou firme a voz de uma menina indignada:

 

- Mas isto é impossível!

 

Impossível, para mim, passou a ser deixar de sorrir. Quanto inesperada me pareceu aquela indignação, aliás posteriormente repetida, perante um filme todo ele “impossível” para lhe utilizar o termo.

 

Mas neste caso surgiu a oportunidade de pensar duas vezes. Qual seria a legitimidade em sorrir daquela afirmação. Alguma coisa estava errada? Seria a banalidade ou inesperado! Mas afinal quantas coisas banais não terei dito ou escrito sem que esperasse o sorriso contido de outros.

 

Foi aqui que parei de sorrir. Ocorreu-me que tantas vezes nos calamos mesmo quando sentimos indignação. Tantas vezes nos calamos porque consideramos o nosso contributo banal. Tantas vezes nos calamos perante uma plateia porque convencionámos um comportamento padrão.

 

Pois pequena menina, nem o teu nome sei, mas também não interessa. Espero que continues sempre a dar voz à tua indignação. É que nos dias que correm serão cada vez menos aqueles que por lucidez genuína se atreverão a gritar que o rei vai nu! E chamamos a isso crescer. - Olha, não deixes de ser assim!

publicado por pontoprevio às 11:21

Agosto 06 2012

 

As atuais ofertas de emprego só podem gerar perplexidade. O que parecia uma regra sensata surge cada vez mais subvertida. Os níveis remuneratórios oferecidos para profissões com elevado nível de qualificação são escandalosamente baixos.

 

Claro que se pode contrapor que essa é uma consequência da oferta e da procura. A lei do mercado!

 

Discordo! Uma consequência de mercado será quando o empresário paga ao trabalhador, independentemente da sua qualificação, uma remuneração justa pela experiência e valor que incorpora na organização.

 

Coisa diferente é pretender recrutar profissionais qualificados em regime indigno. Muitas vezes pelo desespero de quem precisa avidamente de uma colocação. Um aproveitamento das circunstâncias e não a remuneração apropriada. Visão curta essa, pretender profissionais que concebem, planeiam e muitas vezes representam os interesses da empresa a preço de saldo. Como se fosse possível que os mesmos venham a acrescentar valor à organização sem que se sintam valorizados pela mesma.

 

Se uma empresa só consegue ser competitiva com ordenados de miséria então está a adiar uma morte anunciada.

 

Talvez a melhor sugestão que se pode dar ao empresário que pretende arquitetos, engenheiros, juristas, etc… a 500€ mensais será propor que ingresse na Universidade e aproveite o momento difícil para estudar e alargar as suas qualificações.

publicado por pontoprevio às 15:17

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