Novembro 19 2012

Seria de esperar que os tempos de crise motivassem mais criatividade no mercado publicitário. A promoção das novidades no mercado automóvel e o incentivo consumista proposto pelas instituições bancárias desapareceu. O que se mantém é a promoção enfadonha às grandes cadeias de supermercados em redor das suas próprias promoções. Um tédio portanto!


Como se não bastasse quantas vezes somos invadidos por anúncios televisivos onde reina a falta de senso. Se não vejamos.


Não seria mais adequado as marcas de produtos de emagrecimento juntarem aspiradores a corpos realmente obesos? Não bastaria um bom champô ao Cristiano Ronaldo para combater a oleosidade e a caspa ao invés de o conseguir a alta velocidade num descapotável? Será que alguém escolherá um operador de televisão correndo o sério risco de partir muitos pratos quando a televisão lhe entra casa dentro? Será que alguém escolherá um automóvel só por conseguir mergulhar pelo mesmo sem lhe tocar? Não estarão aqueles publicitários a passar a ideia que bom mesmo é sair rápido daquele carro mal se entra.


Pois é, assim não! Com este nível de publicidade não se supera a crise. E tantas podem ser as ideias para alimentar aqueles anúncios.


Por exemplo, se pretendem uma verdadeira metáfora entre produtos de emagrecimento com uma capacidade sugadora sem paralelo pensem no titular da máquina fiscal. Porque não uma série de gordinhos com “gasparzinhos” ao colo. Resultava melhor, não? Se nos querem convencer sobre as ótimas propriedades de um champô dispensem os cabelos ao vento num descapotável e o rei do gel já que os tempos não estão para essas coisas. Escolham um rapaz comum que vai de lambreta para a cerimónia de tomada de posse e nem o capacete lhe estraga o pouco cabelo que ainda subsiste. Se querem promover um operador de televisão com aquele guião porque não filmar em Massamá, um rapaz com ar que não parte um prato e ao abrir a porta a Angela Merkel catrapuz, lá se vai a loiça. Se querem promover a acessibilidade e os novos sistemas de abertura de portas nas viaturas modernas porque não colocar em paralelo um mergulho entre o indivíduo que trespassa o carro sem um arranhão e Paulo Portas com um salto em direção à escotilha de um submarino e quem sabe de lá não conseguir sair. Espetacularidade garantida.


São só umas ideias! É que estou farto de crise!

publicado por pontoprevio às 23:37

Novembro 07 2012

 

Começo por esclarecer que a palavra invariável “mas” deste “post” não representa qualquer movimento de apoio. “Mas” é uma conjunção comum na língua portuguesa que tem por subjacente uma oposição de ideias.

 

Recordo-me de um responsável da administração pública detestar a utilização do “mas”. Pouco dado à escuta, até de forma ostensiva impedia a sua utilização nas ideias de qualquer subordinado. É claro que aquilo que o incomodava não é o termo em si mas sim o desenvolvimento do argumento que o opunha. (Repare-se que na frase anterior a conjunção “mas” é insubstituível!).

 

Habituado a ponderar, é evidente que, pelo contrário, não dispenso o “mas”. Sei que permite manter muitas ideias num estado intermédio mas (cá está nova oposição!) é importante ponderar os prós e os contras, uma vez que não há ideias perfeitas e de sentido único.

 

O “mas” é assim a génese de uma ideia opositora o que em si mesmo é um ato de libertação. Por isso e porque na nossa sociedade não faltam evidências a enfadar-me sem a respetiva oposição, aqui ficam alguns “mas” num exercício de paz de espirito:

O Sporting tem bons valores individuais mas não vence!

Temos um ministro licenciado mas não prestou provas!

As leis são redigidas por juristas para a população mas sem os juristas a população dificilmente as interpreta!

A justiça é para todos mas quem tem posses dificilmente cumpre pena efetiva!

As leis existem mas poucas são realmente fiscalizadas!

Os governos sufragam programas eleitorais mas no exercício não o cumprem!

Aumenta a carga fiscal mas as receitas do Estado diminuem!

Cumprimos um programa de austeridade para reduzir o défice e o endividamento mas ambos não diminuem!

É consensual o dever moral de premiar o mérito mas não existem prémios para o mérito!

Somos uma sociedade cada vez mais instruída mas com cada vez menos oportunidades!

Estamos cada vez mais envelhecidos mas não se incentiva a natalidade!

Defendemos a sustentabilidade ambiental mas aumentamos o custo dos transportes coletivos!

Temos um mar vasto mas não o aproveitamos!

Portugal tem uma longa história mas cheia de sobressaltos!

 

Vendo bem, no meio daquele pulso de ferro, até fazia algum sentido abolir o “mas”.

publicado por pontoprevio às 17:55

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