Julho 11 2010

No semanário Expresso retive, talvez por sensibilidade cada vez mais legítima, um artigo de opinião sobre o período da juventude actual e como este momento difere das gerações das décadas anteriores. Fundamentava-se com a menor perspectiva de emprego, dificuldade de emancipação e constituição de família. No fim, dramaticamente, concluía-se que esta geração será aquela que herdará dívidas e uma visão de reforma diferente dos dias de hoje. Será essa uma mensagem catastrofista?

 

Não estou optimista, de facto. Mas sobre o futuro, manda a prudência, quando temos noção de como têm mudado as verdades, os paradigmas, os códigos, as estratégias, os valores, que é um exercício muito complexo opinar com desfasamento temporal. Estamos muito influenciados por uma conjectura pessimista e quem sabe, não estaremos a tempo de com engenho redireccionar, ajustando o rumo, privilegiando a verdadeira sustentabilidade.

 

Assim, recusando perder mais tempo com os dias do amanhã, ainda tendo por mote o artigo acima referido, reflectia sobre os dias de hoje cruzando com a riqueza das memórias pessoais que alimentaram o período da juventude.

 

Será que hoje temos condições para transmitir confiança, serenidade, incentivo ao sonho e às livres escolhas. Ou pelo contrário não crescem as crianças e os jovens no seio do estímulo à competitividade, materialismo, pragmatismo ou das escolhas estereotipadas, aquelas que a sociedade convenciona como de sucesso. Que oportunidade para o erro, para a inocência, para a liberdade, para a criação concedemos. Que oportunidade a sociedade confere para os valores que se aprendiam na rua, cara-a-cara, aqueles que fomentavam os laços, o companheirismo e a amizade sem contrapartidas ou exigências.

 

Como me posso esquecer dos abraços, das conversas ou simplesmente dos silêncios cúmplices de quem, como eu, me rodeava, crescia com a inocência de um futuro risonho que apenas aguardava, com sensatez, o nosso crescimento. No entretanto, lembro-me como era insubstituível, único, o pôr-do-sol, o mergulho, o golo, a conquista, a praia deserta ou a aventura. Momentos fundamentais, gratos, extraordinários e que se moviam em redor de um valor essencial - a felicidade estava em sentirmo-nos apreciados… Será que aos jovens de hoje lhes é proporcionado tão importante período de juventude?

publicado por pontoprevio às 02:34

O meu céu está cheio de estrelinhas... e a luz vem de longe...obrigada meu filho!
Maria do Céu a 11 de Julho de 2010 às 16:50

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