Setembro 09 2010

 

Termina o período de férias. É inevitável um pequeno lamento egoísta. Momentos de pausa e alegria. De renovar e fortalecer laços familiares. De partilha, sorrisos e disponibilidade. De descanso, sol e iguarias.

 

Mas nestes momentos também há espaço para observar, contemplar e reflectir. Observar que temos de facto condições excelentes para receber os veraneantes. Contemplar as maravilhas naturais, únicas, das praias na costa alentejana e algarvia. E envoltos nestes mimos, que todos consideramos justíssimos após mais um ano de luta, dava por mim a pensar no esforço diário de todos aqueles que, pelo contrário, se empenhavam, quando assim acontecia, é evidente, na satisfação das nossas aspirações.

 

No meio da azáfama a que se exige para a todos acorrer, registava o esforço de quem português não era, fez-se à luta, mas de tudo fazia para que os portugueses a entendessem, mantendo o profissionalismo que o local impunha. Os recorrentes e saborosos sorrisos e perguntas de circunstância, afáveis, que a condição de pré-mamã motivava (no meu caso de pré-papá!). A qualidade com que, surpreendentemente, fomos servidos por uma casa, em pleno Algarve, que, espante-se, é dirigida por uma família oriunda da América Latina.

 

Esforço de hospitalidade enquanto condição fundamental para o sucesso turístico e como essa condição já é percepcionada ao nível individual, dirão todos. Sem dúvida, mas na perspectiva romântica, independentemente do ganha-pão que todos necessitamos, não deixei de registar alguns gestos. Proporcionar o bem-estar, necessariamente pago, mas com o sacrifício individual de muitos que são obrigados a abdicar desse momento para proporcionar as merecidas férias de outros. É a vida!

 

É por isso um tempo de contrastes, entre a paz e contemplação de alguns mediante o esforço e suor de outros. Olhava em redor e não me esquecia disso, procurava respeitar isso. E nesta dicotomia dos contrastes lia por acaso uma observação tão simples quanto profunda, tão contrastante como chocante, de João Duque, professor de Gestão ou Economia, que relatou ter observado na Almirante Reis três seres humanos a acomodar uns cartões encostados ao vidro da montra que separava uma sumptuosa cama, vazia, do outro lado do vidro, amplamente focada onde se destacava o brilho reluzente a ouro… Cama vazia e homens de rua a dormir no chão paradoxalmente separados por um vidro!

 

Falsas moralidades ou discursos beatificantes à parte, mas não será esta reflexão um convite a agradecermos, convictamente, o enorme tesouro que temos, a família, a alegria e as nossas férias, é claro… Eu começo, muito, muito obrigado!

publicado por pontoprevio às 23:40

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