Dezembro 27 2010

Parece-me inequívoca a genialidade do ser humano. Comprovada pela sublime criatividade artística que nos fascina, que nos sensibiliza, que é enorme e talvez seja o bem mais magnânime que nos distingue.

 

Ao mesmo tempo são históricos actos de desigualdade e brutalidade gerados por humanos sobre humanos.

 

Esta contradição, que caracteriza a história da humanidade, tem sido acompanhada de uma evolução técnica avassaladora que decorre de uma progressão exponencial do conhecimento.

 

Nesta fascinante evolução temos vivido no limiar do perigo. Mas ao mesmo tempo, com engenho e inteligência, em momentos críticos, foram encontradas respostas. Ou não fora a escalada do armamento nuclear, no auge da guerra fria, um equilíbrio periclitante que, por desequilíbrio de forças, foi possível inverter. Prevaleceu o bom senso e a inteligência humana. Também o crescimento da industrialização tem gerado alterações climáticas, outrora negligenciadas embora actualmente mais reconhecidas. E essa aceitação é o primeiro passo para uma inversão de ciclo rumo à sustentabilidade ambiental. Aliás, bom exemplo, terá sido a ameaça que pairava sobre a humanidade com a redução da camada de ozono tendo sido possível a articulação de estratégias globais com resultados positivos inequívocos.

 

Simplesmente os desafios não se esgotam aqui. Temos desigualdades enormes de recursos. Poderemos vir a sofrer pressões e conflitos muito superiores pela água ou mesmo pela desigualdade na ocupação do território.

 

Tomamos consciência que surgem novos desafios como encontrar o desenvolvimento sustentável, equilibrado, global e solidário, pouco compaginável com as regras puras da lei do mercado que têm sido distorcidas pela ganância e ineficácia da sua regulação.

 

Enquanto isto vivemos empenhados em medir o nosso desempenho pelo somatório da actividade económica produzida por cada país. Obcecados por um PIB que monitorizamos ferozmente e não vemos nele os resultados que almejamos, confiando nesse indicador a caracterização do nível da nossa evolução. O que é estranho é que neste PIB cabe tudo, o bom e o mau. Teremos consciência que mais gastos energéticos representam aumento do PIB. Mais operações a doentes representam maior PIB. Mais funerais, por exemplo, acrescem ao PIB. Ou seja, será esse o indicador que representa o desenvolvimento da qualidade de vida e não será esse o maior fim a que ambicionamos?

 

Estaremos no bom caminho com este modelo urbano de desenvolvimento das grandes cidades, fechadas, sem mobilidade, assimétricas, de grande volumetrias e carentes de espaços verdes? A aglomeração populacional dos centros urbanos conjugada com a desertificação do interior é sustentável? A asfixia do pequeno negócio local, o abandono das actividades produtivas primárias é modelo de desenvolvimento adequado?

 

O que me parece é que o nível de conhecimento científico não tem sido por si só garante da implementação das políticas públicas sustentáveis a médio e longo prazo. Teremos, contudo, conhecimento para construir novos indicadores e instrumentos para criar novas soluções. O que tenho a certeza é que o ritmo infernal da evolução, de como comunicamos, de como participamos, põe cada vez mais tudo em causa. Como tem sido provado, com muitas estratégias de ontem, a maior convicção que temos hoje por certa é: - A verdade de hoje afigura-se como um potencial erro de amanhã! E essa é a angustiante certeza que temos…

publicado por pontoprevio às 01:47

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