Fevereiro 06 2011

Por vezes ocorre-me uma imagem simples como uma metáfora do percurso de vida. Imagino a escalada de uma montanha, que exige esforço, onde procuramos os melhores caminhos. E tal como em qualquer ascensão, tendemos a vislumbrar com mais facilidade os melhores caminhos quanto mais alto estamos. Por outro lado e à medida que subimos, com conhecimento de causa, podemos reconhecer os trajectos passados errados. Longe, contudo e sempre, de se saber tudo, quer estejamos ainda em percurso ascendente ou mesmo descendente, há sempre caminhos desconhecidos a tomar.

 

No pressuposto de alguma curiosidade nesta imagem impõe-se ponderar sobre o que representa um percurso ascendente ou descendente. Ou ainda, mais crucial, o que é ou quando se atinge o cume?

 

É perante essa interrogação que surge porventura a relevância desta crónica. Não sei se por pura influência de ter nascido em 71 mas costumo pensar, e já assim o pensava, que, metaforicamente, é em redor dos 40 anos de idade que atingimos o cume. Momento muito relevante, onde se congrega uma vivência significativa e a maior visão para optarmos pelo caminho que ambicionamos ainda trilhar. Temos consciência das opções tomadas mas também a noção que, embora se deva acreditar na experiência vivenciada, já não se espera desta geração a revolução, o arrojo a epifania.

 

E ao contrário do que poderão pensar não anuncio com orgulho ou particular satisfação esta convicção de que cabe à geração que atinge os 40 a conquista do cume. Na verdade, a ser assim, só releva o peso complexo que a mesma carrega. Como se fosse sua obrigação as últimas grandes decisões, a derradeira oportunidade para grande transformação ou mudança de rumo.

 

No meu percurso ascendente tenho optado por olhar em frente, mas como estou bem no alto da tal montanha e essa é talvez uma visão privilegiada, por vezes apetece-me olhar para trás. Sinto que já trilhei um percurso significativo com felizmente muitos altos mas também alguns baixos. Mas todo ele ultrapassado por esforço próprio. Não vislumbro ou não me martirizam trilhos errados nem problemas de consciência. E o mais grandioso e fundamental é que estão comigo as pessoas mais importantes.

 

Por tudo isso, se estiver em vias de iniciar a descida, sinceramente, encaro-o, hoje, com muita serenidade.

 

E a todos, especialmente aqueles que nasceram no início da década de 70, votos das melhores escolhas e um percurso cheio de sonhos e realizações…

publicado por pontoprevio às 20:47

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