Maio 23 2011

Não acredito que a felicidade de cada um esteja em absoluto dissociada da felicidade colectiva. Ou seja, dito de outra forma, poderemos estar bem mas não creio que seja indiferente a dor, a indignidade ou a profunda miséria dos outros ao nosso lado.

 

Nessa medida, compreendo a opção política, suportada pelos valores da sociedade, de reforçar o Estado Social. Creio que tem sido uma estratégia que vai de encontro à aspiração de desenvolvimento da maioria dos portugueses.

 

Contudo, o agravamento do desequilíbrio das contas públicas e a insustentabilidade da dívida impõe repensar o nível de apoio social e as formas mais adequadas de reduzir as despesas redistributivas. Uma inevitabilidade quer se queira, quer não.

 

Ajustar é doloroso mas encontrar pontos de equilíbrio é fundamental. Em teoria, recursos elevados disponibilizados em prestações sociais podem reduzir o volume de riqueza potencial da sociedade. Haverá sempre os que aproveitam deixando-se num certo imobilismo.

 

Neste momento a pedra de toque é criar condições sustentáveis para o crescimento da economia. A forma de equilibrar a despesa e atenuar os compromissos de endividamento. Momento, infelizmente, gerador de desigualdades. São ciclos, tenhamos consciência, mas preços a pagar por erros do passado.

 

Significa essa constatação que não há sofismas ou ideologias inatacáveis, apenas há estratégias políticas mais adequadas ou possíveis a cada ciclo de vida da história de um País. Parece-me por isso falacioso, um truque enganoso, fazer crer aos eleitores que está em causa a escolha do Estado Social. Claro que não, o rumo nesta matéria está traçado. Não há margem para alternativas. Não dependerá, por isso, de ideologias ou equipas governativas. Acredite apenas quem quiser…

publicado por pontoprevio às 00:30

Maio 15 2011

Movemo-nos numa sociedade cujo reconhecimento social afunila-se num valor dominante - a riqueza ou a aparência dessa mesma riqueza. Creio ser o valor que se sobrepõe. Lembrando que outrora a espiritualidade ou simplesmente a religiosidade foram bem mais influenciadoras ou condicionadoras do comportamento humano em sociedade.

 

Não pretendendo aqui (quem sou eu!) atribuir juízos de valor a essa constatação ou criticar esse legítimo anseio. Ainda assim, não ficaria de consciência tranquila, omitindo a imensa tristeza quando, e sobretudo quando, assisto ao elevado reconhecimento da riqueza em si mesmo sem qualquer juízo valorativo a forma como se atinge essa riqueza. Isto e, a enorme consideração ao resultado em prejuízo do mérito ao caminho prosseguido ate esse resultado.

 

Admitindo valido aquele valor como dominante, muito se explica a evolução da sociedade e da economia enquanto resultado da acção e valores que inspiram o indivíduo na procura da felicidade e reconhecimento social. E quando se tende a desvalorizar a forma em detrimento do resultado, também se justificam as preferências dominantes por quem se escolhe para liderar. Compreende-se que todos aqueles que mais facilmente se dispõem a desvalorizar comportamentos éticos, de regulação e de equilíbrio, ou de ocultar a verdade, optando pela maximização do lucro e dos resultados prevalecerão. Isto e, tende a sociedade, ironicamente, a privilegiar os mais ousados ou os que com mais facilidade quebram as regras. E essa opção e transversal e explica-se pela obsessão na obtenção mais eficaz (e não necessariamente mais eficiente) da citada riqueza.

 

Quer isto dizer que somos o resultado das nossas próprias opções e ambições. Se não houver a exaltação do bem comum, das regras, da ética e do humanismo na sociedade. Se não houver a evidente condenação, mais do que jurídica, moral ou politica de quem quebra as regras, da ambição desmedida, de quem não fala verdade, não mudaremos realmente de vida. E essa e uma tarefa colectiva a que ninguém se deve excluir. A sociedade constrói-se por todos e por cada um de nos. Com participação, exigência, esforço e responsabilidade nos simples gestos de todos os dias…

publicado por pontoprevio às 23:47

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