Junho 19 2012

 

O entusiamo com o europeu de futebol, do qual não me excluo, tolhe-nos a lucidez. Reduz a iniciativa e o debate. Impõe-se agitar isto!

 

Primeiro porque a manutenção no euro da bola não significa qualquer melhoria económica no país. Depois, porque a vitória sobre a República Checa não significa a eliminação da República Chéché.

 

Mas vejamos o atual torpor da nossa sociedade. Não é estranho que o PCP não tome a iniciativa de apresentar uma moção de censura ao governo da seleção. Protestando veementemente junto de Paulo Bento e a sua falta de tranquilidade após a vitória contra a Holanda. Quase parecia um pacto de agressão.

 

Faz-me confusão a falta de resposta do Pingo Doce, definitivamente surpreendido pela sumptuosidade do Continente no Terreiro do Paço. Não estaria a tempo de responder à altura com uma sardinhada no Palácio de Belém abrilhantada pelo Toy. Ou mesmo, por coerência, patrocinar a festa das tulipas em Campo Maior, essa flor tão típica da sede do Grupo Jerónimo Martins.

 

E neste monopólio televisivo que o futebol impõe, só muito fugazmente interrompido por coisas desinteressantes como as eleições na Grécia e o futuro da Europa, vinga o vazio no debate, na arte ou ideia. Altura ótima para transfusões no sistema nacional de saúde, chumbos à renovação de professores e à desbaratização de ativos públicos.

 

Quando isto terminar, temos que exigir mais debate público e programas inspiradores, aproveitando as opiniões dos verdadeiros especialistas nacionais. Aqui vão algumas sugestões fundamentais para um novo paradigma televisivo: As viagens da minha esposa com Carlos César, Presidente do Governo Regional dos Açores. As reflexões outlet de um foragido com vida frugal, programa da autoria de José Sócrates que, pelo seu mérito cultural, seria uma Parceria Público Privada. Justiça para todos, espaço de debate moderado por Isaltino Morais, Duarte Lima e Fátima Felgueiras. Olhos nos olhos, o estado da saúde e da oftalmologia por Medina Carreira e Paulo Macedo. O “coiso” e o pastel de nata, magazine sobre economia paralela (autor desaparecido). Massamá, terra de oportunidades, programa cor-de-rosa inspirado pelos Passos de Pedro. Um mundo por revolucionar na televisão…

publicado por pontoprevio às 13:02

Junho 15 2012

 

Tal como em nós, os excessos pagam-se. Um dia, por inevitabilidade, perante a batuta do médico, lá acabaremos por cumprir a dor de um programa de tratamento. E valha-nos a compensação quando percebemos que chegamos a tempo.

 

Portugal, por inevitabilidade, pediu assistência. Tal como a prescrição num consultório, foi estabelecida uma campanha dura por um triunvirato soturno.

 

E que raio, como sabemos que emagrecer dói! Ainda, assim, é de reconhecer que cumprir a receita é um bom princípio, uma hipótese de cura. Se o médico for bom!

 

Mas longe de ser tudo. É necessário uma motivação que augure uma genuína vontade de mudar de vida. O centro está em nós, ávidos de uma estratégia e de referências mobilizadoras. É esse o grande ponto!

 

Continuamos com meros “Impulsos” nas medidas para jovens ou menos jovens. Terapêuticas temporárias, impulsivas e reativas da situação. Melhor do que nada dirão alguns. Sim mas longe de representar uma aposta estruturante e concertada que ambicione uma estratégia sustentável para o crescimento.

 

O que se assiste, em pleno tratamento, é a recorrente assunção sobre a inevitabilidade das coisas, o que motiva cortes sucessivos sem que tal corresponda a uma verdadeira cirurgia.

 

Por outro lado mitiga-se a dimensão humana secundando a cultura, arrastando a sociedade para a sua própria desvalorização.

 

A tarefa não é fácil mas da inevitabilidade da praxis atual é urgente passar à implementação de políticas incentivadoras da formação, do empreendedorismo e investimento na área de produção de bens transacionáveis. Renegociar as políticas europeias comuns, regular as cadeias distribuidoras e incentivar a produção, começando pelo princípio das coisas que é ensinar a fazê-lo.

 

Como em nós, tudo começa na cabeça, na autodeterminação e no rumo do que acreditamos. Precisamos de medidas articuladas, de visão e conhecimento, por contraponto ao impulso e à reação. Isto é se queremos mesmo vencer a doença para sempre!

publicado por pontoprevio às 16:52

Junho 08 2012

Li ontem que um ancoradouro japonês, que não tinha resistido ao Tsunami de 2011, deu à costa no continente americano, algures em Portland. Ora cá está uma inócua boa notícia. Menos uma fonte poluente no mar, menos uma estrutura à deriva porventura perigosa para a navegação.

 

Mas não é esse o lado que me despertou curiosidade. Fascinou-me o lado paradoxal, inverosímil, um ancoradouro, essa plataforma fixa que permite a primeira sensação de firmeza aos navegantes, derivou no oceano numa aventura instável.

 

São aqueles factos que estimulam a criatividade pelo lado ridículo das coisas. Se existem ancoradouros a navegar porque não imaginar pacientes em auto-cirugias, alunos a dar aulas a professores, polícias em infração, crianças a cuidar de velhotes, pobres a dar esmolas a ricos ou políticos genuinamente preocupados com a dor do povo… O mundo ao contrário!

 

Parecem ideias absurdas mas é bom não negligenciar Portugal, País Paradoxal (PPP).

 

Nem é preciso recordar a atividade dos Serviços de Informação Secreta que alegadamente veiculavam informações de interesse económico. Serviços secretos a prestar informações!

 

Nem lembrar a pouca sensibilidade da Federação Portuguesa de Futebol que faz deste país, em pleno processo de ajuda externa, a 2.ª representação mais cara do europeu de futebol.

 

Mas vejamos a atualidade de ontem. Administrador do Metro do Mondego demite-se por falta de respeito do Estado perante os cidadãos. O Estado não responde e ausenta-se!

 

O Ministério Público investiga a PSP por suspeitas de uma rede de corrupção. Casos de polícia dentro da polícia!

 

Isaltino Morais em discurso público crítica abertamente o combate à corrupção. Só dá vontade de perguntar: - Será uma crítica à prescrição do seu processo?

 

Tudo isto ontem, neste PPP, Portugal País Paradoxal, que parece muitas vezes uma autentica Parceria com o improvável…

publicado por pontoprevio às 11:02

Junho 06 2012

 

A subtileza espetacular do eclipse do Sol é uma absoluta contradição. Vénus, o planeta do sistema solar mais brilhante, é agora um ponto negro.

 

Vénus, na sua trajetória de amor, arrisca o todo-poderoso Sol. Que inocência desafiar o astro rei!

 

Outros, mais avisados, pequenos mortais deste nosso querido país que pactua com o Sol, sabem bem que fazer sombra ao poder pode sair caro.

 

Um certo dia, um ex-Vice Reitor da Universidade Independente desabafou que pretendia dar a conhecer uns documentos aparentemente comprometedores sobre uma licenciatura comprometida e foi detido por indícios de crimes de peculato e gestão danosa.

 

Uma jornalista do prime-time da TVI que incomodava o regime à dimensão da sua boca desapareceu de cena.

 

Um ex-Inspetor da Judiciária, envolto no caso mais mediático da Praia da Luz, formulou uma convicção que poderia indiciar culpa sobre o lado mais forte e acabou na sombra.

 

Um Vereador da Câmara Municipal de Lisboa, na tentativa de fazer prova de ato de corrupção, acabou condenado por gravação ilícita.

 

Um ex-Secretário de Estado da Energia, ao que parece, defendia uma renegociação pesada em prejuízo do interesse do lado empresarial poderoso e acabou por demitir-se.

 

Uma jornalista do Público formulou perguntas ousadas ao poder instalado e demitiu-se.

 

-Vénus, cuidado! Nós sabemos que fazer sombra ao Sol pode queimar!  

publicado por pontoprevio às 10:36

Junho 05 2012

Inesperadamente, na janela do ponto prévio apareceu o sapo. Aquele que lança o caos às 15 horas!

Simpático, resolveu destacar o blog ponto prévio. Fico feliz!

Sem dúvida uma motivação para futuros “post’s” com fibra.

 

publicado por pontoprevio às 09:58

Junho 04 2012

 

Numa corrente de emoções terminou mais uma edição do Rock in Rio. Não foi apenas mais uma edição.

 

Por um momento a catarse e o êxtase. O sonho e a esperança de mãos dadas na margem do rio que nos move.

 

Mas hoje é um novo dia. Um dia de confronto com realidade.

 

A maior parte de nós dirá que nada mudou. No que me diz respeito, prefiro continuar a cantar com o Bruce: “We take care of our own”…

http://www.youtube.com/watch?v=fkEU3JjNARs&feature=related

publicado por pontoprevio às 11:05

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