Outubro 23 2012

 

Não deixa de ser chocante a quebra de um mito. Outrora herói, Lance Armstrong, o ciclista mais vitorioso e impressionante dos últimos tempos, um agregador sem paralelo de fascínios ao longo do seu percurso ascendente, termina sem honra nem glória a sua etapa descendente.

 

Se há lição que se pode extrair é que ninguém jamais saberá onde fica a verdadeira linha de meta.

 

E todos aqueles que genuinamente respeitaram o desportista que parecia desafiar os limites da lei humana, hoje sentirão aquele vazio amargo da fraude. O fim de um ídolo. O esfumar de um mito. O acreditar em algo que afinal nunca fez sentido acreditar.

 

E aqui não deixei de pensar sobretudo naqueles que fizeram parte da sua equipa. Todos aqueles que ao longo de provações duríssimas respeitaram o seu líder e deram o seu melhor para que nos momentos decisivos Lance Armstrong estivesse à altura de responder aos desafios destinados à elite. Todos aqueles que reconheciam a sua superioridade e doseavam os limites do seu esforço tendo único propósito a vitória de Lance. Como se sentirão hoje? Como poderão aceitar todos aqueles sacrifícios sem reposição em prol de uma horrível batota?

 

Pois é, por vezes sinto-me no meio do pelotão, contribuindo com o meu esforço, numa ingenuidade que faço por preservar. Mas pergunto-me, sim pergunto-me muitas vezes, em prol de que líder? A vida ensina-me que os verdadeiros heróis andam como eu no meio do pelotão.

publicado por pontoprevio às 10:36

Outubro 19 2012

Ao que parece é mesmo verdade. Aquilo que parecia uma brincadeira de mau gosto para com os portugueses afinal é mesmo assim. Demos provas que somos o melhor povo do mundo e como prémio merecemos um orçamento ainda mais duro. Um exercício que oferece a austeridade em cima dos sacrifícios!

 

O puzzle encaixa-se. O Estado está em risco. O consenso sobre a ineficácia da estratégia generaliza-se. Nesse sentido dispenso-me conjeturar mais já que sobejam vozes avisadas.

 

É nesse contexto que procuro vislumbrar alguma coerência nas medidas que nos são propostas. Se é que é possível!

 

Em primeiro lugar dado que estamos em pleno programa de assistência financeira porque não aplicar maior imposto ao que por natureza já nos é imposto. Faz sentido!

 

Depois temos que ter consciência que o nível de dívida é tal que se impõe agravar a carga fiscal até conseguirmos pagar em definitivo a educação de Gaspar. Só lamento que o governo não seja composto por mais ministros como Miguel Relvas porque esse seguramente não onerou tanto o Estado no que diz respeito à sua educação.

 

Também vislumbro lógico reescalonar as taxas do irs já que o crescimento remuneratório tem sido tão evidente em Portugal pelo que é necessário acompanhar esse enriquecimento.

 

Por outro lado, taxar subsídios de desemprego e outras prestações sociais também é coerente, não fossem aquelas prestações asseguradas pelo próprio Estado.

 

A redução de despesa com PPP’s não deve ultrapassar os limites de velocidade, devendo por isso continuar ao ritmo do discurso do ministro das finanças.

 

Aumentar o orçamento do ministério dos negócios estrangeiros também faz sentido já que deixar Paulo Portas muito tempo em Portugal é um perigo para a coligação governamental.

 

Cá está, basta algum espirito aberto para encontrar coerência nas medidas do orçamento de estado! E que não nos falte o espirito positivo mesmo quando tratamos de assuntos tristes. Sim porque para o ano será pior!

publicado por pontoprevio às 21:16

Outubro 08 2012

 

As redes sociais também têm destas coisas. No meio de notícias repetidas, incitamentos e desânimos gerais, eis que uma observação inteligente me desperta. De alguém que por força de uma causa incontornável se encontra - depreendo eu - em repouso cuidado por indicação médica, em defesa do que realmente vale a pena. Ligada ao mundo pela web, compreensivelmente entediada pelas circunstâncias, desabafou: “Estou cansada de olhar para o mundo através dos olhos de outras pessoas”.

 

Não fico indiferente sem antes refletir sobre qual a verdadeira dimensão do meu mundo que é apenas resultado do meu próprio olhar. Ou pelo contrário, quanto do nosso mundo é feito da expressão de outros mundos, de outras visões.

 

Essa é uma dualidade crucial! Somos pobres se não tivermos a coragem de olhar o mundo pelos nossos olhos e promovermos a introspeção e catarse mas seremos irrealistas e incompletos se recusarmos compreender o mundo aos olhos dos que nos rodeiam.

 

Confesso que, por vezes, e mais ainda quando as causas tendem consensualmente para uma triste fatalidade, também sinto algum cansaço do mundo expresso aos olhos de outras pessoas. Sei que é um erro. Mas acredito que na sua essência encerra uma visão de esperança. Mesmo que curta. É que tem implícito que subsiste um mundo melhor em nosso redor para contemplar à escala da nossa própria sensibilidade.

 

E se tudo correr bem cumprir-se-á mais uma prova dessa convicção. Quando no lar de quem falo for recebido o novo milagre da vida. Porque são esses os melhores motivos para adorar ver o mundo através dos nossos próprios olhos.

publicado por pontoprevio às 16:34

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