Janeiro 22 2013

Ontem o sol regressava como que a reprimir o vendaval. Uma efémera bonança que deu lugar à ilusão. Sim porque a tempestade não acabou.

 

Poderão não cair tantas árvores mas veremos mais esperança destroçada. Poderá amainar o vento mas a alta pressão fiscal e o empobrecimento perdurará. Poderão não voar tantos telhados mas mais portas se fecharão. De todas as empresas cuja retração económica determina, implacável, a sua falência.

 

E Pedro, que não o Santo, defende uma tempestade mais curta mesmo que mais violenta. Uma tempestade que respeite o ciclo eleitoral e seja tão dura que obrigue à rutura da proteção social e à privatização desse abrigo. Um bem coletivo conquistado, que embora necessitasse de restauro, constituía a providência, o equilíbrio e a coesão de uma sociedade mais segura e solidária.

 

Já Seguro, envolto na ideia sensata de que as tempestades mais suaves e longas são mais fáceis de debelar, fica-se por aqui, ágil a criticar mas sempre bem protegido da intempérie. Daqueles necrófagos à espera do desastre, num ciclo oportunista, ansioso para lançar as garras.

 

É neste pau de sete varas, numa encruzilhada de contradições, que somos obrigados a resistir. Afirma-se que não há financiamento para a economia mas tem havido capital para a recapitalização da banca. Jura-se que o Estado tem que emagrecer mas o mesmo Estado continua a assumir o risco de ativos tóxicos que os privados não querem ou mesmo a financiar o risco de insolvência de outros bancos. Todo o contribuinte tem sido convocado num esforço de emergência sem paralelo mas a pressão para reduzir o custo dos contratos de parceria ou o serviço da dívida não são alvo de discussão.

 

É assim que estamos entre Pedro, de ideias pouco santas, de tesoura em riste fingindo uma refundação, esquecido do consenso e mais preso a uma ideologia do que verdadeiramente a um programa. E Seguro, nesta estratégia pobre do não comprometimento, como qualquer seguro estará carregado de letras miudinhas, razão pela qual jamais nos assistirá qualquer apoio em caso de sinistro. Nem Pedro, Santo ou não, nos vale na tempestade, nem Seguro nos protegerá.

 

Razão têm os metereologistas! Mantém-se estacionária a depressão no centro da Europa. Estamos mesmo em alerta vermelho.

publicado por pontoprevio às 10:20

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